Serve este espaço para deixar as minhas impressões sobre as pessoas, o ambiente, a cidade, entre outras coisas, durante esta minha estadia neste novo "planeta": Gotemburgo, Suécia!
Desta vez o 'Na Terra da Música?' leva-nos a conhecer uma banda cujo registo assenta como uma luva naquilo que eu penso ser o puro estilo indie e garage rock, ao estilo The O.C. , Mando Diao. O nome, um pouco estranho, parece ter surgido num sonho de um dos 5 membros da banda,Björn Dixgård.
O começo remonta a 1995 mas o primeiro álbum, Bring 'Em In surgiu apenas em 2002. Editaram mais 3 álbuns Hurricane Bar, em 2004, Ode To Ochrasy, em 2006 e Never Seen the Light of Day, em 2007.
Parecem ser uma das bandas preferidas da EA Sports, visto que 3 músicas deles já apareceram em outros tantos jogos da editora... Aliás, foi através de um deles que os fiquei a conhecer, com um single do seu 3º álbum,The Wildfire (If It Was True). Deixo-vos o vídeo:
Por estas bandas, o último fim de semana televisivo foi marcado pelo maior acontecimento desportivo (de acordo com as estatísticas).... dos Estados Unidos da América: O Super Bowl XLII, a final da National Football League.
Neste último Domingo (vejam a data deste post para saberem que Domingo é...) quase todos os canais passaram filmes que conseguiam arranjar sempre maneira de introduzir o futebol americano no argumento, episódios especiais (leia-se, sobre futebol americano) dos Simpsons e Family Guy e, finalmente, resumos do desempenho de cada uma das equipas finalistas durante a época que findava.
Já agora, os finalistas foram os New York Giants e os New England Patriots de Boston. Ganharam os Giants.
Foi este o ponto de partida para mais uma reflexão sobre o país que me vem acolhendo nestes últimos 6 meses...
Será este o país europeu mais próximo da american way of life?
Primeiro que tudo, deixem-me dizer que a maioria da juventude autóctone não sofre tanto daquele anti-americanismo fundamentalista, daquele 'porque sim!' ou 'porque o meu ídolo escreve música com esse tipo de conteúdo' que ultimamente se vem instalando nas mentalidades europeias. Depois de algumas conversas fiquei a saber que muitos deles até já estiveram, durante algum tempo, nos E.U.A.
Mas não é isto que me leva a pensar na Suécia como o país mais 'americanizado' da Europa... Vamos por pontos:
O Hóquei no Gelo
O hóquei no gelo até nem é algo exclusivo dos norte-americanos (E.U.A e Canadá). Em países como a Republica Checa, Rússia, Finlândia, Alemanha, e até na própria Suécia, o hóquei no gelo já se pratica há muito tempo, sendo já um desporto tradicional.
Quando se olha com mais detalhe para a liga sueca de hóquei no gelo é que se descobrem os pontos de aproximação com os Estados Unidos. Os nomes das equipas. Nomes como Frölunda Indians, HV71 Blue Bulls ou Timrå Red Eagles fazem lembrar aqueles nomes à moda de banda desenhada da NHL. Os símbolos também não andam muito longe, senão vejamos:
Ver um jogo de hóquei aqui na Suécia dá direito até a músicas de órgão nas paragens de jogo, daquelas que se ouvem nos jogos de computador da EA Sports (passo a publicidade)...
Fast Food
Aqui há stands do McDonalds e Burger King em todo o lado. E estão sempre cheios...
Só no maior centro comercial da Escandinávia, Nordstan, (mais pequeno que o GaiaShopping, à vontade), localizado aqui em Gotemburgo, existem 3 stands de McDonalds e 1 do Burger King. Logo à frente do centro comercial fica a estação de comboio, mais 1 Burger King. Numa das ruas em frente ao centro comercial há mais 1 McDonalds. Não é preciso andar mais uns 50 metros para encontrar outro McDonalds em Kungsportsplatsen. Na avenida... bem, paro pela avenida, mas acreditem que há mais, muito mais!
Aos fins de semana é o ponto de encontro do pessoal que anda a curtir a noite.
Nas auto-estradas e vias rápidas abundam os drive-in. Há até uma cadeia de comida rápida sueca, Max, que tenta fazer frente a estes 2 gigantes americanos...
A Televisão
Aqui passam Simpsons, Family Guy, American Dad, South Park, Lost, Prison Break, Grey's Anatomy, House, etc... Ok, nada de anormal. Em Portugal ainda se vai passando a mesma coisa, ainda que não na televisão pública.
A diferença é notada quando muita da publicidade que passa é em Inglês e sem legendas e quando se vêem séries como 60 Minutes da CBS ou Cops,na televisão pública... Tenho que dizer isto outra vez: eles passam COPS! Existirá algo mais tipicamente americano do que Cops?
Não. Gotemburgo não é de certeza a terra da neve... Mas também já era tempo de começar a nevar!
Tudo começou ontem, por volta das 18 horas locais. Eu nem tinha reparado, quando a Sara chega a cozinha é que me diz para olhar para o outro lado da janela.
Chega de palavras, vou deixar agora umas 'coisas' que alguns iluminados dizem valer por milhares delas...
Mais um músico sueco que até já tinha ouvido, mas não fazia a mínima ideia de quem era...
Esta edição do 'Na Terra da Música?' é dedicado a José González, sim, um músico sueco, de Gotemburgo, com um nome latino que a ele foi dado pelos pais, emigrantes argentinos.
O estilo musical de José González é um misto de indie e folk musik, usando, quase de forma essencial, a guitarra acústica. Já foram editados 2 discos seus, Veneer de 2003 (o único que ouvi até agora) e In Our Nature, editado no ano que no mês passado acabou.
Deixo-vos uma música, Heartbeats, escrita e interpretada por ele, que servia de banda sonora a um anúncio dos monitores LCD Bravia da Sony, que muita gente deve conhecer:
Ok, eu sei que agora já começo a exagerar... Muitos de vocês devem estar a pensar: 'Na Terra da Música? A Suécia? Ò Damião, brincamos ou colamos cartazes?'
A verdade é que, muita da opinião musical que realmente tem alguma importância naquilo que diz, não tem dúvidas em considerar a Suécia como o 3º maior exportador de música Pop a nível mundial neste momento, atrás dos habituais Estados Unidos e Reino Unido.
Leiam as Blitz dos últimos meses, por exemplo, e vão ver que isto não deve fugir muito à razão...
Dada a importância da Suécia no panorama musical da actualidade, decidi criar uma série de posts que funcionassem como uma introdução das bandas que vou conhecendo por aqui.
Começo com os The Sounds.
Surgiram, não em Gotemburgo, mas lá perto, em Helsingborg. É uma banda new wave e indie rock (ao estilo O.C.), liderada por uma vocalista , Maja Ivarsson , já considerada uma das vocalistas mais sexy (e crazy, muito provavelmente...) da cena rock actual.
Editaram 2 albuns, Living in America, em 2002 e Dying to Say This to You em 2006. Deste último deixo um dos singles, Painted by Numbers:
Durante algumas das últimas aulas teóricas do dia, em que tive a oportunidade de estar atento e aprender alguma coisa, deixava-me distrair por um acontecimento que se dá todos os dias, por volta das 16 horas...
Não é que as aulas teóricas fossem assim tão interessantes para ser impossível encontrar algo que me distraísse... Aliás, pensando bem, até era fácil. Bem, mesmo assim acho plausível fazer a pergunta:
Mas que acontecimento é este?
Antes de descrever o 'predicado', deixem-me descrever o 'sujeito': a pega-rabuda (magpie em inglês, skata em sueco), um pássaro da família do corvo que se avista em abundância aqui em Gotemburgo (e não só, vejam este artigo na wikipédia). Em baixo, uma imagem de um destes bicharocos a voar:
Vamos então ao 'predicado'. Por volta das 16 horas, ou melhor, por alturas do por do sol, (sim, porque estes animais não usam relógio para orientação temporal) todos os espécimes das redondezas juntam-se no mesmo sítio (neste caso voando sobre telhado de um dos edifícios da faculdade) quase tapando o céu, para não falar no silêncio que acabam por perturbar, pois estas pegas-rabudas não se calam...
Após este último 'engarrafamento', as aves desaparecem, dirigindo-se, presumo eu, para os seus ninhos, que aliás são muito facilmente avistados nas árvores despidas pelo Inverno.
Deixo aqui algumas imagens que pude recolher hoje do meu quarto, por volta das 15:30. Não são bons exemplos do que realmente acontece, até porque as fotografias não foram muito bem tiradas. Devem ser suficientes para dar uma ideia. Na primeira imagem podem ver alguns pássaros no ar, nas árvores e no relvado visível no centro da fotografia:
Só mais uma curiosidade minha... A equipa de futebol inglesa Newcastle United FC escolheu estes animaizinhos, símbolos de tristeza e problemas, para alcunha. São conhecidos por 'Magpies'. Isto é que é brincar com a sorte!
...adequadas a um confortável sono num assento de um autocarro? Ah, e não me digam que basta incliná-lo para trás...
São ideias destas que me surgem nas alucinações próprias de um sono acidentado, daqueles que se sentem durante uma viagem de autocarro, duração 7 horas, entre Estocolmo e Gotemburgo.
Fica aqui uma ideia para o pessoal que viaja diariamente ou semanalmente num autocarro de médio ou longo curso. De certeza que algum já aprendeu a dormir numa situação dessas...
Agora que vi e sei mais do mundo, percebi que o título de 'Terra das Bicicletas' não é o mais apropriado para Gotemburgo.
Basta ver, por exemplo, estas fotos que tirei durante a minha breve estadia em Copenhaga, capital dinamarquesa e quiçá capital escandinava das bicicletas...
Também da Holanda chegam relatos de uma verdadeira terra de bicicletas, onde o seu número pode muito facilmente ser superior ao número de pessoas que lá habita.
E sobre Pequim nem vale a pena dizer nada.
Pensei em mudar o título para 'Na Terra dos Volvos', mas como estaria a fazer publicidade a uma marca registada, deixo estar tudo na mesma. Afinal, há mais bicicletas aqui do que no Porto...
E agora, um espaço de culinária (ou pelo menos algo que se aproxima disso, ainda que de forma remota...) aqui no meu 'blogue'. Culinária sueca, e não se trata de almôndegas com puré de batata!
No último jantar que o pessoal do corredor fez em conjunto, a vontade do Anders em mostrar o seu prato favorito, 'Nothern Pike' (ou lúcio europeu, em português), foi finalmente satisfeita.
Mas quem é este Lúcio?
Bem, o lúcio europeu é um peixe predador, que habita águas doces locais e que, pelo que nos conta o Anders, não tem nada de pacífico:
"Qualquer coisa que lhe apareça à frente dos olhos, bam! Ponham-lhe um gato pequeno à frente e vejam o que lhe acontece..."
Deixo aqui o link para o seu artigo na wikipédia e algumas imagens do bicho:
Nesta última fotografia podemos ver o nosso lúcio a capturar uma pobre rã...
Depois vos apresentar o Lúcio, resta-me dizer que é um prato bastante apreciado pelos suecos (o Mattias diz que é até considerado uma delícia em França...) e quando servido com batatas e um delicioso molho de manteiga não fica nada mal.
Só tem um problema. Dá muito trabalho para o comer! Dei por mim a pensar que se a Natureza encheu o lúcio europeu com tanta espinha, não deve querer que façamos dele o nosso jantar...
Ao largo da costa da cidade de Gotemburgo há um conjunto de pequenas ilhas onde cerca de 5000 pessoas têm a sua casa e os carros são raríssimos. Os nativos desta zona referem-se a estas ilhas como "o Arquipélago"...
Descobri um dia cheio de sol, e como não sabia o que fazer com ele, aproveitei-o para visitar a parte sul do arquipélago, constituída pelas seguintes ilhas: Asperö, Brännö, Donsö, Knarrholmen, Kårholmen, Köpstadsö, Sjumansholmen, Stora Förö, Styrsö, Vargö e Vrångö. Deixo de seguida um mapa muito rudimentar, só porque gosto de mapas nos textos que escrevo:
Como acordei tarde, decidi apenas ir a uma das ilhas e ver o resto do barco. Em Saltholmen entrei no ferry Fröja com a intenção de desembarcar num pequeno 'porto' (se é que lhe podemos chamar isso) na ilha de Styrsö. Depois das duas primeiras ilhas, Asperö e Brännö (em baixo, uma fotografia do 'porto' de Brännö e dos seus 'automóveis') chegou a vez da única paragem em terra firme, a ilha de Styrsö.
Não saí no 'porto' principal, saí depois deste, num ainda mais pequeno. Fui o único a sair. O barco rapidamente desapareceu deixando-me a sós com os sons dos pássaros e da água a chapinar nas rochas. O meu principal objectivo era atingir o ponto mais alto da ilha, tirar fotografias à paisagem e voltar a entrar num barco no mesmo porto onde saíra. E tudo isto no espaço de 1 hora, podendo assim completar o circuito de barco (de Styrsö até Vrångö, a ilha mais distante, e daí a Saltholmen). Para o cumprir, contornei por uns metros a costa da ilha, sem deixar de reparar nas casas que por lá paravam e nos pescadores de marisco que por lá andavam, entrando pouco depois pelo denso arvoredo. Foi um caminho engraçado, pelo meio descobri uns lagos e zonas de densa vegetação, zonas essas que renderam boas fotografias. Deixo de seguida uma delas, tirada já perto do ponto mais alto.
Já no topo, tal como esperado, consegui ver a paisagem formada pelas ilhas e o belo efeito que os aglomerados de casas produziam à volta de pequenas baías. Se estivesse a nevar, tenho a certeza que o cenário me faria lembrar uma típica povoação dos mares do Sul, daquelas descritas nos livros que tenho lido, como o Na Patagónia de Bruce Chatwin. Das fotografias que se seguem, a primeira, um conjunto de casas na ilha de Styrsö, retrata muito bem um desses casos. Na segunda, uma vista sobre a ilha de Donsö, ligada à ilha de Styrsö por uma ponte (não, a ponte não é invisível. Não aparece na foto).
Do topo consegui também ver o barco que o entusiasmo acabou por me fazer perder!
Desci até ao porto principal, aproveitando o tempo ganho pela perda do tal barco. Consegui ver mais alguma coisa da maneira de viver nestas ilhas: bicicletas, carrinhos de mão e casas pacatas.
No mesmo 'porto' onde saí, um sueco que lá estava de bicicleta assinalou a presença de pessoas na paragem com a ajuda de um sinal luminoso e acabei por entrar no barco para regressar a terras continentais.
É um bom lugar para perder algum tempo a explorar. Não estava a espera de encontrar lagos ou zonas de arvoredo cerrado no meio destas ilhas. Gostei bastante do silêncio da estrada, dando lugar a outros sons que convidam a reparar em tudo e parecem fazer o tempo passar mais devagar.
Só mais uma coisa. Se pensarem em ir ao "Arquipélago", façam-no com tempo e num dia de Sol e sem nuvens...
Em Gotemburgo não há táxis amarelos, beges ou pretos. Aqui os táxis estão cheios de efeitos e autocolantes assemelhando-se mais a carros de rally.
Durante a noite, principalmente ao fim de semana, vagueiam pela cidade em busca de presas. Podem ser encontrados perto das discotecas ou bares.
Muito cuidado! Se, durante uma noite escura, os seus faróis vos encontrarem numa rua deserta, é provável que este predador abrande para tentar meter-vos lá dentro...
Tinha mesmo que escrever alguma coisa sobre isto...
Hoje, ou melhor, ontem (já é quase uma da manhã do dia seguinte...) terminadas as aulas, afastava-me do edifício de electrotecnia em direcção a casa, conversando ao mesmo tempo com um colega madrileno de nome Fernando. Já perto do ponto onde os nossos caminhos se separavam (ele mora na distante zona de Frölunda) surge como tema de conversa a duração da estadia de cada um de nós aqui nestas terras. Eu disse um semestre (leia-se, 5 meses, se tanto). Ele respondeu com 1 ano. "Eu sinto-me melhor em ficar aqui 1 ano. Pelo menos sei que quando acabarem as festas de final de ano, tenho algo para continuar aqui na Suécia e não em Espanha!"
Já na residência encontro a Sara. O mesmo assunto salta à baila. Também me diz que ficar aqui sem experimentar a Primavera é um 'desperdício'. Mas pelos vistos não há problema para os alunos suecos. Pedem um empréstimo ao estado, este financia os seus estudos e recebe o dinheiro de volta quando os alunos têm uma certa estabilidade financeira.
Yep, é esse o meu problema. Se eu tivesse uma bolsa a condizer com o custo de vida deste país, nem pensava duas vezes!
À noite, depois de começarmos a ver (e passados 10 minutos desistir) outro filme sobre drogas, (Domingo 'Spun', Segunda 'Trainspotting', Terça 'Requiem for a Dream'), o Mattias diz "Pá, tiveste a oportunidade de escolher ficar. Certas pessoas não nasceram para lutar man!" (Risos) "Agora a sério, ainda vais a tempo, mas tens de arranjar um trabalho amanhã." Pois, é isso mesmo, amanhã...
Hoje, ao almoço, no grupo habitual encontrava-se uma cara nova, um alemão de 27 anos que aos 18 foi viver para a Tanzânia durante 2 anos, escapando ao serviço militar germânico (aos olhos dele uma perda de tempo). Segundo nos contou, durante a sua estadia no estado africano trabalhou para uma empresa alemã ali activa.
Embora muitas das histórias que nos contou, apesar de dignas de aqui serem publicadas, sejam longas de mais para este espaço, houve algo que ele disse que me apeteceu partilhar.
Ora, disse-nos ele que quando se chega a um país onde as pessoas, a língua, os costumes, bem, praticamente tudo nos é desconhecido, o que normalmente fazemos é tentar recorrer àquilo que devíamos conhecer, a nossa própria pessoa. Quando o tentamos fazer e nada encontramos então sabemos que é tempo de nos descobrir.
Epa, ir para um sítio desses para partir à nossa procura...
Comprei um casaco para enfrentar a intempérie cá do (Gotem)burgo.
À prova de água e vento, quentinho, um casaco sueco! De uma marca que não conhecia, Everest. Pelo que já vi é especializada em roupa e desportos de Inverno. Aqui fica o logo:
...se na Suécia encontrares uma porta, é provável que esta esteja fechada e seja difícil de abrir.
Ok, fui eu que inventei a história do velho ditado, mas o resto parece-me verdade. Aqui há razões óbvias para manter as portas fechadas. Frio lá fora, calor cá dentro, tão simples como isto. Mesmo as portas interiores (salas de aula, gabinetes, casas de banho, cozinhas, etc..) fecham-se sozinhas.
Agora não percebo porque é que temos de aplicar tanta força para as abrir!
A primeira vez que reparei na marca das fechaduras pensei "Abba?! Não pode ser...". E não era mesmo. Era Assa.
Depois das bicicletas e das pessoas (ou dos 'Sims", como queiram) encontrei um outro elemento que me parece um bom classificativo para estas terras e gentes... as cozinhas.
Ora quem estiver a ler este post deve estar a tentar adivinhar o que têm estas cozinhas de especial para as mencionar como "um bom classificativo". Pois é, estes suecos devem pensar muito mais adiante que a maioria de nós, a ponto de nos deixar a colocar as perguntas erradas. A questão não é o que têm, mas sim onde as podemos encontrar!
Depois de tantas horas enfiado em vários laboratórios da minha faculdade, depois de lá passar tantas horas divagando e descrevendo círculos em volta de uma solução que teimava em não aparecer, muitas vezes enriquecendo mais o aborrecimento e a frustração do que o conhecimento, julgava impossível elevar o meu nível pessoal atribuído a tal espaço ao grau de "remotamente agradável".
Aqui no país do IKEA descobriram uma maneira de o subir até ao grau de "acolhedor". Como? Fácil, põe-se uma cozinha ao lado e à vista de todos!
Sim, isso mesmo, uma cozinha! Com fogão, banca, armários com loiça, lava loiça e electrodomésticos como máquina de café, torradeira, micro-ondas, frigorífico e uma máquina aquecedora de água (para o chá...). Não faltam cadeiras, uma mesa onde se estendem revistas e jornais do dia. Para além disso, muitas delas encontram-se recheadas de chá, café e bolachas!
Claro que a cozinha não está "no" laboratório, mas encontra-se à vista de todos que entram no corredor. Assim acaba-se a sensação de ter de andar 20 km até ao bar mais próximo para petiscar alguma coisa. Fica mesmo ali ao lado, não custa nada! E isto aliado ao óptimo hábito destas gentes de fazer pausas de 15 min. a cada 45... "Acolhedor", não?
Nos últimos dias aproveitei para ver mais um pouco da cidade, fui ao Museu de História Natural de Gotemburgo, envolvido por uma das maiores áreas verdes da cidade, o parque Slottsskogen. Adivinhem o que lá encontrei?
Sempre que entro no 'tram', enquanto vejo e ouço os suecos a falar, lembro-me sempre daquelas personagens principais de um jogo electrónico chamado 'the Sims'... Se ainda não jogaram, já devem ter ouvido falar, deixo aqui uma imagem para refrescar a memória de alguns...
Estes suecos:
- Falam uma língua completamente desconhecida para mim, tal como aqueles seres estranhos. Para além disso, os sons que utilizam são muito parecidos com os que ouvia no jogo, só lhes falta o balão em cima deles para perceber de que estão a falar... Não costumam usar muito os gestos, mas quando estão a falar daquela maneira e começam a bater palmas sozinhos, penso mesmo que estou no jogo...
- A TV dos suecos... Pá, se já alguma vez jogaram 'the Sims' e compraram uma televisão para o vosso 'Sim' de estimação então sabem como é a TV deles : uma mistura muito rápida de música, imagens e voz que parece feita completamente ao acaso, numa língua que ninguém percebe! Ora aqui é a mesma coisa : os 'spots' são pequenos, uns a seguir aos outros, sempre narrados por mulheres com o mesmo tom de voz, acompanhados por músicas todas de estilo diferente umas a seguir às outras... E ainda se riem daquilo!
- Como já disse no ponto anterior, as mulheres parecem falar todas no mesmo tom de voz... Adoro quando dizem olá : 'Hej!' Soa assim a um 'ei', mas com acentuação no 'i', mas em tom interrogativo, do género 'eiiiiiii?' Quando estão mesmo contentes dizem-no 2 vezes, 'hej, hej!'...
Fiquem já a saber que os suecos, pelo menos os nativos de Gotemburgo, estão sempre a falar do estado do tempo, que é como quem diz, da chuva. Isto porque são obcecados pelo sol!
Até há uns 4 dias atrás, desde os primeiros tempos em Gotemburgo, o tempo até tinha estado razoável. A temperatura máxima até não era baixa, 15ºC, e o sol até raiava na (grande) maior parte dos dias...
Enquanto os suecos aproveitavam banhos de sol nos vários parques da cidade, deitados sobre as suas toalhas, sempre que conversava com eles, era frequente ouvir ameaças de que a chuva não tardaria a chegar, e aí sim, depois de iniciada, tardaria a ir embora, lá para Fevereiro ou Março...
Agora já percebo o que lhes metia tanto medo... Isto parece uma floresta tropical, não para de chover, e quando pára, como já não tenho tantos problemas em olhar para o céu, vejo só nuvens negras...
Os suecos continuam a falar da chuva. Depois de uma aula, chego à saída do edifício, chuva por todo o lado, um colega sueco vira-se para mim: